AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/26/2004 08:39:34 PM DATE: 7/26/2004 08:39:34 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Girassóis




Estive vasculhando algumas gavetas para reciclar o monte de lixo que ali só fazia aumentar. Entre folhas rabiscadas e amassadas, mas não menos valiosas, eis que encontro isso:

Faz Parte do meu Jardim


Eu tenho um jardim...
O mais belo dos jardins.
Tenho as estrelas no céu do meu jardim.
Sonhei
Sob o luar desse jardim...
Eu tive a mais bela das rosas,
Mas era mais espinhos que perfume.
Manchou de sangue meu pequeno universo...
Ah... chuva em meu jardim...
Graças à chuva, um lindo girassol surgiu,
Iluminando e trazendo a alegria de volta.
Não há mais rosas e espinhos.
Não há mais sangue nem lágrimas...
Agora um girassol,
Faz parte do meu jardim.


Para um alguém em especial. Para um alguém que brilha, brilha e não cansa de ofuscar meus sonhos. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/23/2004 02:14:26 PM DATE: 7/23/2004 02:14:26 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Olhos Tristes




Menina, partem tão tristes
Meus olhos por você, meu amor...
Nunca tão tristes
Foram por alguém.

Tão tristes, tão saudosos...
Tão doentes de saudade.
Tão cansados, tão chorosos...
Mil vezes morte que vivacidade.

Partem tão tristes, os tristes
Tão machucados pela espera
Que nunca tão tristes
Foram por ninguém.

Só para não dizerem que as rimas e a musicalidade fogem dos meus devaneios... —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/20/2004 09:34:01 AM DATE: 7/20/2004 09:34:01 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Chuva, carro e música




"Hum, baby...
Eu ontem tive um sonho.
Sonhava que você beijava minha boca, era tão bom...
Ia deslizando no meu corpo
E me deixava louco...
Pena que isso tudo era só sonho...
O que é que eu faço se é você que eu venero?
Ainda te amo, meu amor, ainda te quero...
Sem você não vivo nem um segundo,
Sem teu amor fico perdido no mundo..."



Não é bom deixar as músicas tocando em modo aleatório. Elas parecem escolhidas a dedo por um sacana qualquer e começam a traduzir pensamentos em palavras. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/11/2004 05:58:34 PM DATE: 7/11/2004 05:58:34 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Saudade também tem gosto de caramelo...




Um dia, quem sabe, essa chuva será platéia pra nós dois.
Um dia, quem sabe, abraços serão mais longos que palavras.
Um dia, quem sabe, a simples troca de olhares significará muita coisa.
Um dia, quem sabe, viagens não irão separar desejos.
Repetições... repetições... Eu gosto.
Um dia, quem sabe, desejos serão imensos...
Um dia, quem sabe? —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/9/2004 08:48:14 PM DATE: 7/9/2004 08:48:14 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Apenas um final...




E quando menos esperava, um filete salgado contornou-lhe o rosto vermelho. "Ei, o que é isso?", parecia indagar-se. Já não bastasse todo o barulho e confusão do lado de fora do quarto, havia agora muito barulho e confusão do lado de dentro daquele menino descalço e desprevenido. E bobo. E apaixonado.
Teria sido muito mais fácil guardar aquele monte de átomos de carbono, secar todas as poças, calçar os chinelos e ir embora. Mas ao olhar o interruptor manchado, lembrar que as sombras daquelas cortinas tinham um negro diferente, resolveu ficar. E ficou. Os olhos rasos d'água pediam exatamente o contrário, mas que diferença fazia? Ela nem iria comover-se mesmo...
Muito barulho. Muita confusão. Muitos carbonos saltando de pára-quedas da cama. Ele não entendia como e nem passou perto de adivinhar os motivos de toda aquela lambança. As músicas de fundo, normais nesses momentos, eram tocadas por um violinista bêbado num dos cantos do quarto. Coincidência ou não, o bêbado sabia todo o repertório daqueles dois. Cada música era uma agulhada muito bem dada no coração. As notas desafinadas pareciam cuidadosamente feitas de propósito para reforçar a idéia de que o caos estava instalado e nada poderia fazer o tempo ser mais piedoso. Onde estariam os chinelos? Não havia mais espaço para agulhas não. Seria bom acertar aquele violinista na cabeça.
Apesar de tantos pesares, havia mesmo acabado. Ele quis abrir a boca, esboçar uma reação. Infelizmente frases transformam-se em ações complicadas. Elas ficam quase impossíveis de serem formuladas. Deixou estar, então. Como previsto ela não comoveu-se. Aliás, nem olhou para trás. Eram desnecessários esses atos, já que tudo estava perfeitamente pronto e acabado. Tudo terrivelmente feito. O menino bobo descobriu que era daquele jeito que acabava.
A bagunça cessou assim como o barulho. O bêbado já guardara o violino e esperava que o menino lhe jogasse rosas de agradecimento. Ela continuava de costas. Era difícil saber se ao menos tinha escutado as músicas. A indiferença venenosa não surtia muito efeito, pois as agulhas já davam conta de toda a cota de dor possível. Já era hora de calçar os chinelos e ir embora. Mas, por qual motivo ainda relutava? O que mais podia fazer ali? Até o violinista tinha sumido. Bem, talvez fossem aquelas pintas. Duas pintas no pé. Ele sempre foi louco com aquelas pintas. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/6/2004 03:55:03 PM DATE: 7/6/2004 03:55:03 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Sorrisos




Li certa vez que podemos medir o caráter das pessoas no instante em que elas sorriem. Achei estranho. Como uma pessoa poderia ter uma visão tão simples da vida? Lembro-me que senti inveja, afinal, quem não deseja saber mais sobre alguém numa fração de segundo? Não... não poderia. Na minha humilde ignorância duvidei e fechei o livro, convicto de que a complexidade de meus problemas era muito mais valiosa do que visões poéticas do universo. Mero engano...







Simples. Numa fração de segundo. Assim foi.
Beijos, morena. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/2/2004 09:20:08 PM DATE: 7/2/2004 09:20:08 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Deixa?







E então? —– ——–