AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/27/2004 11:25:58 PM
DATE: 9/27/2004 11:25:58 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: A ciência menos (mais) exata (errada) do mundo
Capítulo I - Apaixonite Aguda
Os conceitos que serão introduzidos neste capítulo (amor, saudade, tempo, compreensão etc.) são fundamentais para o estudo de toda a Apaixonite Aguda. Por tal motivo, esse que vos fala deve fazer com que adquiram uma boa compreensão de todos eles e sejam capazes de trabalhar com esses conceitos sem dificuldade. Sim. É impossível, já que a Apaixonite ainda é (e sempre será) uma ciência intrigantemente complexa.
Entretanto, o tempo dedicado a esse estudo não deve ser empregado na solução de problemas complicados, envolvendo várias lágrimas, solidão crônica ou busca desenfreada por aventuras vazias. Tais tipos de problemas apresentam características predominantemente tristes, que em nada contribuem para a melhor aprendizagem dos conhecimentos envolvidos neste capítulo.
Da fórmula geral
Neste capítulo estamos iniciando o estudo da Apaixonite, isto é, vamos analisar e procurar entender grande variedade de fenômenos, muito ligados à nossa vida diária, denominados fenômenos apaixônicos. Realmente, a todo instante estamos nos relacionando com fatos de natureza cósmica e nosso modo de viver e pensar dependem acentuadamente da baixa ou alta ocorrência desses fenômenos.
Há alguns trilhões de anos atrás, certo Sacana realizou uma série de medidas cuidadosas das forças de atração entre indivíduos. Através dessas medidas, Ele chegou a algumas conclusões (válidas tanto para forças de atração como para repulsão) que analisaremos a seguir.
Designamos por A o módulo da força de atração entre os indivíduos m1 e m2. O Sacana verificou que, se duplicarmos o grau de amor (a) e saudade (s) de m1, o valor da força de atração entre os indivíduos também duplicará. Então, concluiu que o valor de A é proporcional a m1, isto é:
A µ m1
Válido também para m2. Então podemos escrever:
A µ m2
Logo, como A µ m1 e A µ m2 vem A µ m1m2, ou seja:
A força de atração entre dois indivíduos é proporcional ao produto do grau de amor (a) e saudade (s) de cada indivíduo.
A força de atração depende da distância ente os indivíduos
O fato de que a força de atração entre os indivíduos diminui quando aumentamos a distância entre eles é óbvia. Os olhos deixam de brilhar mais intensamente e o ritmo cardíaco volta ao normal.
Entretanto o estabelecimento da relação quantitativa entre a força A (que um indivíduo exerce sobre outro) e d (distância entre os indivíduos) só veio a ser feita pelo Sacana quando criou Adão e Eva. Ele verificou que:
Duplicando d, A torna-se 4 vezes menor
Triplicando d, A torna-se 9 vezes menor
Assim, o Sacana observou que, quando a distância d é multiplicada por um número, a força A entre os indivíduos fica dividida pelo quadrado deste número. Portanto,
A µ 1/d²
A Lei Apaixonite Aguda
Como já vimos que A µ m1m2 e A µ 1/d² podemos associar estas relações, obtendo:
A µ m1m2/d²
Sabemos que esta relação poderá ser transformada em uma igualdade introduzindo-se nela uma constante de proporcionalidade adequada. Consideremos inicialmente, os indivíduos m1 e m2 situados no planeta Terra. Nesta situação, vamos designar por z a constante de proporcionalidade a ser introduzida na relação anterior. Teremos, então, para indivíduos na Terra:
A = z (m1m2/d²)
O valor da constante z pode ser obtido experimentalmente. Em um sistema cabuloso e sem lógica para nós, mortais, foi posto que:
z = 5,0 x 10³³ jl, onde jl são jujubas laranjas
Aplicação da Lei Apaixonite Aguda
A força A, apesar de não ser tão conhecida, é aplicada regularmente em infinitas situações. Os árduos estudos de grandes vagabundos pensantes e bobos apaixonados resultaram nessa descoberta. Sabe-se, desde então, que cada pessoa possui uma fórmula de existência. Nesta fórmula, a presença da força A é imprescindível. Exemplo:
A² (inspiração/tempo)² + mau/bom (humor) = Marcos
A presença essencial dessa força na fórmula existencial de cada pessoa prova que é impossível se ver livre de tal fenômeno. Uma vez acionada, a força inicia um incansável trabalho de busca e aproximação por outra fórmula existencial compatível com as variáveis m1 e m2. Com busca e aproximação completadas, as fórmulas fundem-se em um emaranhado de incógnitas equivalentes a paixão, carinho, amor, saudade, brigas, sexo, casamento, filhos, família...
Mas isso são cenas de um possível próximo capítulo...
Agradecimentos à Karla e à Juliana pela inspiração.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/20/2004 07:54:54 PM
DATE: 9/20/2004 07:54:54 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: Ei, você...
Ei, você... que nem sabe de minha existência.
Quando vamos deixar de ser desconhecidos?
Quando vai pensar em mim, assim, como penso em você?
Ei, você... por onde andará essa noite?
Será que eu posso te acompanhar?
Juro que ficarei mudo...
Só quero ouvir de novo seus passos.
Ei, você... ainda sorri para a lua?
Ela ainda sorri de volta? Jura?
Eu posso ver?
Ei, você... vamos dormir na rede?
Sonhei hoje com um céu da cor de seus olhos.
Eu posso olhar pra eles agora?
Ei, você... que nem pensa mais em mim.
Será que ainda veremos filmes à tarde?
As folhas ao vento ainda cantarão seu nome?
Ei, você... que está pensando em mim agora.
Também acha que a melhor distância é a mistura de nosso calor?
As coisas deviam estar, ser e acontecer nessa cama.
Ei, você... me ensina a voar?
Mas não faça muito barulho para não acordarmos.
Lembra das cartas que nunca mandamos?
Queria escrever muitas delas.
Ei, você...ainda lê aquele livro? Jura?
Espero que não se importe... eu esqueci como é esquecer do mundo.
Leia o livro para mim, e me faça lembrar.
Ei, você... qual a sua cor preferida?
Posso pintar meus dias assim?
Ei, você... deixa eu te chamar de amor?
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/14/2004 10:35:43 PM
DATE: 9/14/2004 10:35:43 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: Luas que riem
Sussurros...
"Tristeza é a flor
que murcha no coração
daquele
que amor
nunca teve."
E Setembro é mesmo meio estranho. Estar deitado na cama por puro ócio é convite para sonhos inusitados e nem por isso menos interessantes. Era tarde desse Setembro. Quase noite, bem verdade. E ele dormiu.
Nunca havia estado numa casa daquelas. Talvez nem tenha mesmo entrado nela. Estava de costas para a porta que batia por causa do vento forte e com cheiro de rosas. Não... não era cheiro de rosas. Era mais delicado. Suave. Um perfume maravilhoso que pedia permissão para entrar em seus pulmões. Ele teve vontade de voar e, antes que pudesse contemplar de novo a casa de alvenaria branca pela última vez, viu-se longe dali.
A árvore onde estava escorado era conhecida, mas da moça dormindo em seu colo só reconheceu o perfume. Delicado. Suave. Pedia permissão para entrar em seus pulmões. A casa havia sumido. Ele não via nada além de grandes campos verdes banhados com o sol forte daquele céu azul de poucas nuvens. O mais impressionante era o cuidado que tinha em não se mexer para manter a dona daquelas mechas castanhas sonhando. O vestido branco que ela usava era todo irregular nas pontas. Um despojamento lindo, por sinal. Quis afastar o cabelo para poder ver quem era, no entanto o vento soprou mais forte e desfolhou a grande árvore. Escureceu o céu e levou a fonte do perfume embora.
Um grito alegre de criança o fez abrir os olhos. A cara de insatisfação mostrava claramente que queria continuar sonhando, ou quem sabe, que odiava sonhos daquele tipo. Levantou da cama e caminhou até a varanda de casa. As luzes do primeiro andar estavam apagadas. Estava sozinho mais uma vez. Ele nem ligava em ficar sozinho, tão pouco sentia-se triste. Era bom para pensar e ficar á toa. No céu peculiarmente vermelho e pincelado de estrelas sentiu falta da lua. Há dois dias atrás tinha pedido a um certo Cara para pintá-la da cor das unhas de um alguém que estava distante. Pelo visto Ele preferiu engolir a lua ou guardá-la no bolso por pura sacanagem. Como não adiantava mesmo resmungar, subiu no parapeito de barriga para cima e olhar as estrelas, assim como fazia quando pequeno. "Ei... olha ali. Aquelas estrelas ali." E era um rosto. O rosto que ele queria ver.
Passou vários minutos com os olhos naquela deusa no firmamento até que não aguentou e teve que piscar. Ela estava distante dali, mas ele sabia que ela estava triste. Não poder abraça-la ou simplesmente fazer companhia era frustrante. Levantou o corpo e abraçou as pernas para poder ver as luzes da cidade. Em algum lugar, o som triste de um violão tocando Djavan. Estava tudo pronto para uma lágrima cair e a tristeza se instalar nesse Setembro. Foi quando do horizonte surgiu um sorriso incandescente. Era como brasa saltando da fogueira e vindo me queimar os olhos. Tudo bem que a cor das unhas dela não era aquela, mas aquele arco laranja-fogo evitou que as coisas saíssem do rumo. Foi bom. Muito bom. Ele até ensaiou um ar de felicidade também... Quem diria... O Sacana tinha seus momentos de "bondade". Espero que não queira nada em troca depois. Ia ser bom dormir.
E Setembro é mesmo meio estranho. Até mesmo as luas riem.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/8/2004 06:04:19 PM
DATE: 9/8/2004 06:04:19 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: Manifesto Púrpura
Não tenho o que escrever.
Meus motivos perderam-se nesse céu vermelho...
Atrás, talvez, desse olho tedioso
Que insiste iluminar os lugares
Onde eu nunca devia ter pisado.
Teria o que escrever...
Se meus sonhos fossem prioridade,
Se sentimentos fossem maiores
E decisões fossem menos errôneas.
Ainda escreverei o infinito, talvez,
Enquanto Setembros correrem livres
E meus versos ainda servirem para alguém.
Que esse alguém leia-os e sinta o perfume...
Que afogue-se nas pétalas e não tente acordar.
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