AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 5/11/2005 12:50:36 PM DATE: 5/11/2005 12:50:36 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Antagonistés




E lá vem aquele palhaço matinal de novo. São 19 longos anos agüentando seus sorrisos treinados, suas caretas sem graça e sua arrumação de cabelo. Arrumação meio inútil, porque nunca descobriu um penteado que lhe agradasse. Hoje, por exemplo. Olha lá... Penteia, penteia e acaba por agitar as mãos sobre os fios para desalinhá-los. Oras. E essas piscadelas para mim? Vai, maldito. Vai viver a minha vida. E fica sorrindo esse sorriso bobo. Pisca para mim toda hora. Que idiota... Que completo idiota.

Céus dos céus... que roupas são essas? Não me faça vestir assim. Esse vermelho não combina com nossos olhos, idiota. Vermelho e jeans! De novo! Falta-te criatividade, meu caro. Você não sabe ousar e muito menos ficar um pouco mais apresentável. Vermelho e jeans... Sinceramente eu não sei o que ela viu em você. Como uma moça tão formosa e inteligente pôde cair nas graças (ou desgraças) de um cara como você? Aliás, ela devia ser minha, e não sua. A vida devia ser minha. Eu me vestiria melhor, faria os sorrisos melhor. Ao invés de vermelho, usaria um azul-marinho. Deixaria o cabelo e a barba crescerem. Faria tudo e tudo diferente de você. Completamente o oposto de você.

Se há uma coisa que me deixa bem é ver você chorar em minha frente. A grande maioria das vezes isso acontece ao som dessas malditas baladas de rock. Guitarras chorosas e baterias e baixos ritmados por suas lágrimas, não é mesmo? Não simpatizo com a música e muito menos me comovo por suas bocas tristes. Sempre fui apaixonado pelo atordoar metálico de outros tipos de guitarra. E minha boca não demonstraria tristeza nunca. Nunca mesmo. No máximo uma ironia nervosa. Mas, tristeza, nunca.

Ah... você outra vez. E nem chora, nem demonstra algo para me deixar feliz. Quero viver essa vida. Eu mereço viver essa vida. Longe de mim a inveja que talvez ache que eu sinta. Não tenho inveja de alguém tão diminuto. Acho, sim, uma injustiça tudo acontecer em torno de você como se eu nem existisse. Até parece que você desconhece minha existência. Não, não... impossível. Você sabe que eu existo, não sabe? Sente que há a outra face, o outro lado, o outro eu, não sente? Ei... volte! Me responda! Eu existo e não me ignore, maldito! Quero viver além disso aqui!

Do que adianta desejar o inalcançável? Vejo os sorrisos e os beijos dela. Tudo para você e ela é tudo para mim, sabia? Eu deveria receber os beijos e os carinhos dessas mãos sem esmalte. Eu deveria tocar os lábios misturados com o salgado de lágrimas mais verdadeiras. Mas, chego à infeliz conclusão que nem você e nem ela sabem de mim. Estou preso nesse mundo réplico suplicando por um lugar em seus sapatos e vocês nem sabem sobre mim. Se eu não existisse não faria a menor diferença. Talvez eu não exista e fantasie minha própria existência para preencher um pequeno vazio no universo. Um vazio qualquer. Deve ser isso. É um absurdo não poder beijá-la e estar eternamente assistindo você o fazer. Por isso eu não existo. Você existe, e eu não.

E lá vem aquele palhaço matinal outra vez. Está com ela, linda como sempre. Devem sair para comer em algum restaurante cheio de luzes, risadas e espelhos. Eu não quero espelhos para onde estão indo, na verdade. Não quero ver nunca mais a vida que eu deveria estar vivendo. Isso já deixou de ser motivo para existir e eu nem existo mais. Nunca mais quero ver. Nunca mais quero os espelhos. Que ele olhe em um espelho e veja o reflexo morto que todos vêem. Que ela sorria... olha, estão voltando. Não, é só ela. Esqueceu o prendedor de cabelo e veio pegá-lo. É linda, linda... Eu a quero. Eu sempre quis...

Odeio ele. Eu realmente odeio ele.

—– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 5/2/2005 06:27:44 PM DATE: 5/2/2005 06:27:44 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Um eterno ofuscar




"I remember the smell of the skin...
I remember everything..."



Além de castanhos ofuscados por um marejar fraco e bobo, acabou por descobrir que também possuía um sorriso triste. Mas é um sorriso verdadeiro. Mas é triste. Necessita de uma centelha. Centelha de sol daquela morena que virou a esquina. A mesma que ele está esperando agora. E agora também. E agora. Há 3 que não sabe o que é fingir uma boca. Mas a boca é triste. Então, é para fingir que não é. Será que ela vai entrar ali outra vez? O frio está batendo... Será?

Castanhos marejados por doença gostosa. Mudanças repentinas de humor e viagens estonteantes por possíveis outros mundos de borboleta-azul. Precisa da centelha. Precisa do amor. Da morena menina. Ele tem. Mas é o frio lá de fora e a espera que distancia. Castanhos marejados. Quase foscos... marejados.

Ela teria seus lábios, mas sua boca é triste, apesar do sorriso de amor verdadeiro.


"Please forgive me...
I don't know what I do...
Please forgive me...
I can't stop lovin' you..."
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