AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/28/2005 12:29:08 AM
DATE: 9/28/2005 12:29:08 AM
CATEGORY: Nenhum
—–
BODY: Confissões de um espelho
"Não é questão de desacreditar em você. Ele só não queria tantas verdades."
—–
——–
AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/21/2005 03:05:39 AM
DATE: 9/21/2005 03:05:39 AM
CATEGORY: Nenhum
—–
BODY: De volta para o futuro
"Would you know my name,
if I saw you in heaven...?"
Moça bonita. Morena bonita. Que ama amarelo, que ama os pais. Que ama guardar tesouros sem valor em gavetas. Moça morena que revira tesouros e murmura com olhos rasos d'água:
- Mãe, eu estou sumindo das fotos.
Moça bonita, morena bonita. Que ama amarelo, que ama os pais. Que em algum desses milhares de universos paralelos está sumindo, sumindo, sumindo... E não tem idéia de que é tudo nossa culpa.
"I just can't stay here in heaven..."
—–
——–
AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/17/2005 11:13:03 PM
DATE: 9/17/2005 11:13:03 PM
CATEGORY: Nenhum
—–
BODY: Vamos falar de amor
"How many special people change...?"
Você tinha razão. Anjos não valem a pena. E eu vou te fazer algumas confissões, meu caro. Estou morto, odeio castelos do fundo de nossa alma e há um gigantesco vão no lugar do que eu chamava de coração. Nunca a hortelã e o chocolate foram tão ruins. Nunca foi tão inútil implorar pelo certo. Nunca pareceu tão descartável usar o que uso. Nunca soou tão imbecil repetir tantos nuncas em tão curto espaço de tempo. Estou pisando em ovos podres. Cego para a lua e me sentindo digno de pena para os olhos dos outros. Tenho vergonha, mas não sei do quê. Quero beijar, mas onde está o leve sabor da melancia? Então, você me diz como vai ser dessa vez.
Sabe, há uma tênue linha que separa o ódio exacerbado do amor incondicional. É o que todos dizem. Não com essas palavras, mas essas são as minhas palavras. Quando lembro dessa frase imagino uma fina linha de prata, vista apenas com o reflexo da luz do sol, dividindo um imenso campo em duas partes exatamente iguais. Não só em tamanho, até porque não se mede o infinito. Eles são iguais. Iguais como reflexos de um espelho. Como o nosso espelho, meu caro. Ironia ou não, ódio e amor são sentimentos igualmente furiosos. Talvez por isso os campos iguais. Mas nem é dessa linha que desejo falar. Se há uma linha tão tênue quanto a do campo, seria a linha que separa a incondicionalidade da burrice. E você sabe, espelho. Sabe que eu cruzei essa linha há tempos atrás e me odeia por isso. Eu me odeio por isso. Bem, e antes que eu me esqueça: nunca me passou pela cabeça lhe pedir perdão. E quer saber? Eu não tenho o que escrever aqui. Estou escrevendo simplesmente por perceber que não me avisaram nem como, nem se, nem ou, nem e. Muito menos se eu podia cruzar tais linhas. Ah... a infelicidade nunca foi tão inspiradora.
Me pego agora fazendo perguntas que ninguém sabe as respostas para as paredes de um quarto outrora feliz. Onde está? Por qual motivo foi? Vai voltar? Quando? Quando vou parar de sangrar? Estou faminto por verdade. Louco por cumplicidade simples e poderosa. Quero gritar; e calo-me. O choque entre o podre e meus sonhos faz com que aquilo invada lugares onde eu não vou e não querem que eu esteja. Quem se importa se não entendem uma palavra do que digo? Aprendi que todas as palavras devem ser ditas. De fato, eu deveria escrever algo mais calmo e direto. Simplesmente, entretanto, não consigo. Viciei-me em subjetivismo complicado e matemático. Culpa de infelicidade que inspira e bota mais palavras em minha cabeça do que a velocidade de minhas mãos podem colocar no papel. Como sempre, palavras inúteis e esparsas, lidas por poucos bobos, compreendidas apenas por quem escreve na íntegra. Isso cheira necrose, e veja só! Eu estou morto há mais tempo do que imaginava. Meio Setembro com você no controle e eu não sei quem sou mais. Não sei o que faço nem o que quero ao certo. É ruim quando só sabemos do que não gostamos. É a pior sensação de morte que pode existir.
Meu grito mudo ecoa nos sonhos dos mundos autônomos.
Cadê, farol? Para onde levaram? Eu sei que está frio aqui em cima, espelho, mas preciso saber dela que olha por nós dois. Aonde foram parar os melhores e mais perfeitos sinônimos de felicidade que eu poderia possuir? Levadas por quem? Por dois olhos claros? A caixa de Pandora agora está trancada com meus sonhos e não conheço Pandora nenhuma para abri-la. Isso cheira necrose. Não faz sentido escrever assim... cedilhas e acentos moldados por lágrimas. Montes e montes de frases amontoadas na velocidade do som. Som dos mumúrios e soluços noturnos de um gigantesco vão no lugar do que eu chamava de coração. Ódio, espelho. Seu ódio agora é meu também. E tenho certeza de que é esse ódio que enfumaça o quarto em meus sonhos. Ódio triste de quem não enxerga mais o rosto quando dorme.
É intrigante viver assim. É errado estar assim. Faz parar de chorar, espelho. Eu não sei mais qual o efeito que minhas palavras doces causam naquele universo púrpura. Não sei qual o efeito que causo ao sibilar paixões e juras mais que verdadeiras. Teria perdido o açúcar e derramado sem querer o veneno que matou o encanto dos anjos? Ah... ódio, ódio, ódio... com pitadas singelas de amor. É intrigante em demasia... Estou mesmo morto.
Sonho californiano. Nosso sangue manchando os lençóis de uma cama que nem sei se vai existir, enquanto labaredas lambem as fotos, os poemas e os tapetes. E mesmo assim, a vontade de ainda querer lhe apresentar o mar.
"Homem não chora nem por dor,
nem por amor...
Lágrimas são água.
Caem do meu queixo
e secam antes de tocar o chão..."
—–
——–
AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/15/2005 02:23:16 AM
DATE: 9/15/2005 02:23:16 AM
CATEGORY: Nenhum
—–
BODY: ;blue
Medo de dormir para sempre em uma diagonal e sonhar com o nada. Muito medo.
—–
——–
AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/12/2005 01:44:02 AM
DATE: 9/12/2005 01:44:02 AM
CATEGORY: Nenhum
—–
BODY: September. Eleventh.
- Será que ela está olhando para essa metade de lua exatamente agora?
- Quanto tempo será que demora um mês pra passar?
- Eu gosto de achar que ela olha. Até sinto isso. Até por isso estou conversando com você.
- Uma folha do calendário, o trabalho pra ganhar um salário...
- Engraçado, porque eu só subo aqui pra olhar a lua. E ela nem está cheia.
- ... um dia em Saturno. Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão.
- Queria estar olhando junto, pra falar a verdade...
- Aqui em cima faz frio, não acha?
- Eu amo você. Demais. E a lua vai estar no mesmo lugar.
- Hã? Você estava falando algo?
- Não. Só pensei alto.
- Hum...
—–
——–
AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 9/2/2005 06:08:55 PM
DATE: 9/2/2005 06:08:55 PM
CATEGORY: Nenhum
—–
BODY: Wake me up when September ends
"Here comes the rain again,
falling from the stars...
Drenched in my pain again,
becoming who we are.
As my memory rests,
but never forgets what I lost.
Wake me up when september ends..."
E quem não sente falta de aventuras metafóricas dos anjos desastrados? Eu sinto. Falemos então de anjinhas-bochechudas-vestidas-de-amarelo-que-não-gostam-de-poetas-tristonhos. Oras, e eu preciso de motivos para querer escrever sobre elas? Não. Eu não preciso. Sou o menino do espelho e estou no controle. Aliás... vendi de graça, ou por pouco mais que algumas jujubas laranjas e verdes aquele poeta castanho. Não sentirei falta, não sentirei falta; mas isso não importa agora. Só me faz ter vontade de contar histórias sobre anjinhas bochechudas e rir um rir sarcástico. Sinceramente não achei que minha liberdade fosse colocar anjos em minha boca outra vez.
Todos deviam entender que anjos não valem a pena. Mesmo assim, me vem a hilária vontade de discorrer sobre essa bochechuda. Olhem para ela... Saltitante, envergonhada e de pele rosada. Parece ainda não saber voar, mas tem as asinhas alvoroçadas em tempo integral. Ânsia pelo primeiro vôo, creio. É muito por culpa dela toda essa mudança repentina. Toda a balbúrdia dos dois lados do espelho. Esses saltos, esse rostinho corado de quem está sempre correndo, esses olhinhos fugitivos. Tudo junto para implorar pela mudança. Digo até mais: Para cessar com a concessividade crescente. Agora, saber se ela vai conseguir é outra história. Afinal, anjos bochechudos não são nada mais do que anjos bochechudos. Anjos não valem a pena.
Como esperado, lá vai ela. Deitar-se ao lado daquele maldito adorado. Não sei o motivo, todavia ele continua a não querer enxergar que apenas os autistas não matam. Rio enquanto a vejo aninhar-se na cama e envolver seus bracinhos rechonchudos no pescoço dele. Quem garante que amanhã ela não mudará de idéia? Quem pagaria para ver que ela continuará esquerda à concessividade do poeta? Eu não. Porque eu sou melhor do que ele e enxergo muito mais além. Oras. Prestem atenção. Se eu fosse fraco como ele também pediria para dormir e não aceiteria tomar conta da situação. Eu sou forte. Sou o que não morre enquanto ele dorme com anjinhas-bochechudas-vestidas-de-amarelo-que-não-gostam-de-poetas-tristonhos.
Eu não vou perder o controle.
Ok, ok. Eu menti, porque eu minto. Não vendi o poeta castanho. Mas não pensem vocês que isso diminui meu controle. O poetinha está dormindo e não quer ser acordado por enquanto. Não que eu queira acordá-lo. Não que isso diminua meu controle, não mesmo. Tanto não diminui que decreto a partir de agora: Setembro é o mês do espelho. Não, não... melhor assim: Setembro é o mês do menino do espelho. E eu exijo que falem baixo para não acordarem quem não deve ser acordado. E que ambos, eu e ele, não sintamos cheiro de chuva. Principalmente ele que está dormindo. Cheiro de chuva nos faz sonhar com piercings.
"...wake me up when september ends..."
—–
——–