AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/22/2005 03:30:41 AM DATE: 10/22/2005 03:30:41 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Ampulhetas




Imagine:
Bordas e enfeites prateados.
Vidro não.
É cristal.
Areia não.
É sangue.
Coagulado sangue.
Tempo não.
É cansaço.
E você vai implorar,
Mentir e chorar,
Quando meu sangue parar de contar.

O recomeço do fim do recomeço —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/17/2005 12:38:48 AM DATE: 10/17/2005 12:38:48 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: thoughts


"...one of those melodramatic fools..."


O vento sempre traz o perfume dos dias quentes.

Há caminhos por demais;

Teria eu voz de bala de maçã verde?

Fraco.


"...here we are, talkin' about forever..." —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/11/2005 01:57:49 AM DATE: 10/11/2005 01:57:49 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Egotrip




7 coisas que eu odeio fazer:

Usar clichês.
Ver filme dublado.
Estar ali, mas não para os outros.
Conversar com gente burra.
Lembrar que é tarde de Domingo.
Dormir chorando.
Perceber a descartabilidade.

7 coisas que gosto:

Escrever.
Desenhar.
Jogar bola.
Deitar na varanda pra ver estrelas.
Lembrar das pessoas.
Correr na chuva.
Subir no telhado para ver a lua ou o poente.

7 coisas importantes no meu quarto:

Cama.
Rascunhos.
Paredes desenhadas.
Computador.
Livros.
Fotos.
Janela.

7 fatos quaisquer sobre mim:

Como muito, todavia sou magro.
Operei o joelho direito para arrancar metade do menisco.
Fico bobo quando olho para a lua.
Dizem que corro muito rápido.
Não sei tocar saxofone.
Fico acordado por dias.
Escrevo livros, mas ficam todos pela metade.

7 coisas que eu sei fazer:

Marcar gol de bicicleta.
Criar.
Falar em público.
Convencer os outros.
Compreender.
Suportar.
Posts subjetivos.

7 coisas que eu acredito:

Nada é uma palavra esperando tradução.
Amizade nua e crua.
Os poetas são imprudentes com as próprias aventuras.
Confiança é o tesouro mais menos valorizado por muitos.
Vida fora da Terra.
Vivo zilhões de vezes a mesma vida.
Amor.

7 coisas que eu mais falo:

Eu, hein!?
Rá.
Eu entendo.
Ai.
Ié.
Olha...
Claro.

7 celebridades por quem tenho um apreço especial:

Renato Russo.
Clint Eastwood.
Dave Grohl.
Julia Roberts.
Tom Hanks.
Bloguda.
Eric.

7 pessoas que têm que responder isso. Ou não:

Tom Gray
Bebê
Torto Escritor
Linho
Displicente
Neve Canadense
Dactilosa
Antonomística —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/1/2005 04:43:48 AM DATE: 10/1/2005 04:43:48 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Marcos tem que morrer


"Wake me up when September ends..."


O que eu estou fazendo com isso? Você tem coragem de me perguntar o que eu estou fazendo com isso? Vai à merda, espelho. Com todo o respeito: Vai à merda.

Assusto-me só de pensar que você não fazia menção nenhuma de sair do controle temporário que te dei. Maldito. Você ia me deixar dormir pra sempre? E cadê aquela pequena de amarelo que estava ao meu lado? Por favor... não me diga que ela sumiu. Mas, ela sumiu, não foi? Que droga, espelho. Você não soube cuidar nem mesmo dos meus sonhos. Você não cuida de nada direito. É egoísta. Um mal desnecessário que eu tenho. Um estorvo. Ah... espelho, eu vou te matar. E eu não tenho medo algum de morrer. Nosso, seu, meu... Não importa de quem é esse ódio castanho. É por causa dele que vou te matar.

Quem te criou? Aqui, sério... De onde foi que você saiu? Está conseguindo ver nos meus olhos o tamanho da pena que sinto de mim mesmo por sua causa, maldito? Hein? Consegue? Esses socos e coronhadas são muito menos do que você merece. Hades está sibilando seu nome e eu estou muito mais do que satisfeito com isso. Já vai tarde, antagonistés. É com esse revólver, com essa bala solitária e com a mesma mão que sustentou o infinito mais prateado do universo que vou arrebentar com sua têmpora direita. Ah... e você vai sofrer o triplo de coração que sofro. Vai engolir esse anel e essa rosa seca assistindo lembranças de Domingos que não me deixam dormir. Vai e eu vou chutar e cuspir e chorar antes de puxar o gatilho. Chega de gritos mudos. Chega. Basta. Eu não tenho medo algum de morrer.

Parei agora em uma dúvida: Quero escolher entre cortar meus pulsos ou me enforcar com o lençol da cama? Ah, Dave, que ironia. Você não falou de espelhos, mas poetizou abusos. Estou fraco demais pra lutar e forte demais para desistir. Só tenho uma bala com iniciais de nomes impronunciáveis entre um kanji de amor para matar. Eu quero mais balas. Sem nada grafado nelas, nada. Só quero atirar e atirar nesse desgraçado pra escutá-lo gritar de dor. Porque estou louco, doente. A voz não sai da minha cabeça e esse reflexo imbecil não revida nenhum de meus socos! Revide! Revide! Revide! Seja o homem melhor que disse ser ao menos antes de sumir! Bata em meu rosto e tente tirar o revólver das minhas mãos... Tente tomar o meu lugar para continuar mendigando milímetros de atenção. Mire entre os castanhos e puxe você o gatilho, seu merda. Mas é fraco. Como é fraco...

Silêncio. Choro contido.

Preste atenção. Você não tem direito a último desejo, não tem direito de querer ver, não tem motivos para querer ósculos dolorosos. A gente vai brincar de roleta-russa e eu quero ver o seu sorriso irônico toda vez que eu puxar o gatilho. Quero ver você ranger os dentes a cada calafrio tenso por imaginar meu desejo mais imaculado queimando e dilacerando sua pele, estourando seu cérebro de falso poeta e abrindo um segundo rombo do outro lado de sua cabeça. Que tal? Cala essa boca! Oras... sujei meu punho com seu sangue. Que nojo, espelho. Que nojo eu tenho de você. Mais do que eu tenho de mim. Mas tudo bem! Vamos brincar...

Silêncio e lágrimas.

... você tem sorte. Mas eu sabia que não seria de primeira. Nada com você é de primeira. É sempre a segunda, a quarta, a sexta... Você é par e eu sou ímpar. Eu quero muito te matar, desgraçado.

Silêncio e chuva e lágrimas.

... ironia... Eu amo ironias. Você é uma ironia. Eu amo você, mas eu vou te matar porque não há chão para destino duplo. Não, não há...

Silêncio e rosto e arma apontada para a própria cabeça.

...

Você é par e eu sou ímpar.

Silêncio.

Estranho ver, ao invés de sangue, pedaços de espelho e lágrimas minando de uma ferida tão profunda. Incurável. Tão profunda que matou muito mais do que o simples reflexo rebelde de um espelho. Sinto em dizer, mas você, que sempre foi invencível aos meus olhos, também morreu. Adeus, púrpura. Adeus.


"Guess what, fucker. We gonna fuckin' die..." —– ——–