AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/30/2006 04:18:18 PM DATE: 7/30/2006 04:18:18 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Confissões de um assassino - Parte IV

trecho de poema encontrado no fundo da gaveta:

"... nunca mais.
Nunca mesmo.
Nunca mais.

Nada de cortes em garganta.

Por que eu sempre me apaixono pelo último olhar?"
—– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/10/2006 02:08:30 PM DATE: 7/10/2006 02:08:30 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Confissões de um assassino - Parte III


"Em meados do século XVIII armas de fogo passaram a fazer parte da irreverente coleção de utensílios de um assassino. Eram eficazes em mais de 95% das situações e dispensavam grande habilidade de quem as manuseava. Afinal, ser preciso quando um monte de chumbo quente estourava e rasgava tudo o que encontrava era irrelevante. Daí, o mercado ficou saturado. Eram muitos matando muitos por muito pouco. E cobrando pouco, diga-se de passagem. Não havia mais discrição e nem honra; dada era a facilidade de conseguir uma arma e um punhado de pólvora. Foi quando mais se fez valer a primeira regra da Grande Escola. E como é fácil de prever, foi também quando bons assassinos deixaram de existir. Talvez seja até por esse dado histórico que eu nunca sujei minhas mãos com aquele pó feorento. Nunca puxei um gatilho. Por solidariedade aos verdadeiros colegas do passado. Ou, quem sabe, por ser um ferrenho defensor do romantismo das armas brancas. Bem, solidariedade é um sentimento que aproxima os homens da compaixão. Logo, sou um ferrenho defensor do romantismo das armas brancas." —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/5/2006 01:48:46 AM DATE: 7/5/2006 01:48:46 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Confissões de um assassino - Parte II


"É notório que em noites como essa eu me lembre dos ensinamentos da Grande Escola. Fazer tais favores é nostálgico. O primeiro grito, o primeiro último suspiro, o primeiro encontro com o cheiro de sangue quente. É bem verdade que os gritos ficam mais escassos com o tempo, que os últimos suspiros ficam obsoletos e que o cheiro de sangue passa como detalhe desapercebido. É o fardo da experiência que o tempo acarreta. Mas como disse, é notório que em noites como essa os ensinamentos da Grande Escola sejam lembrados. Qual devo usar? A faca, ou o cortador de gelo? Doce dúvida. Metalicamente doce como sangue." —– ——–