AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/26/2006 08:30:31 PM DATE: 10/26/2006 08:30:31 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: Confissões de um assassino - Parte VII


Competição entre nossa classe é um problema. São muitos querendo o que ninguém quer.

E alguém, sempre, tem que morrer. Uma pena que tenha que ser você.
—– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/21/2006 10:52:00 PM DATE: 10/21/2006 10:52:00 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: morning calls


"Óh, acordei cedo
pra dizer:
Te amo.
Ouvir dos pássaros o canto
antes do sol nascer."
—– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/18/2006 05:58:15 PM DATE: 10/18/2006 05:58:15 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: mute memory

Risos incontidos. Abraços perfeitos. Beleza que faz sofrer. Mudez telefônica. Músicas perfumadas. Liberdade imcompreensiva. Ciúme solitário. Banheiros chorosos. Saias para sorrisos. Conversas pra ontem. Olhares perdidos. Olhos caçadores. Olhos tristes. Anéis amargos. Ideais de asas. Sonhos fugitivos. Camas cósmicas. Paredes tatuadas. Versos brancos. Felicidade em calda. Exatidão desequilibrada. Chocolate prateado. Frio acalentado. Acordes desesperançados. Impaciência fria. Ambição cômoda. Comodismo impregnado. Mentira traída. Vácuo cortante. Solidão lançada. Pesca solitária. Isca concessiva. Asas quebradas. Tristeza triste. Dúvida inquestionável. Lágrimas celestes. Promessas amenas. Falsidade atenuada. Omissão constante. Fórmulas inúteis. Diversão proibida. Laços proibidos. Corpos salgados. Desejos impronunciáveis. Agonia repetida. Vida interrompida. Domingos inexistentes. Utopia de cabresto. Anjos demoníacos. Devaneios martirizados. Dança fúnebre. Alma mofada. Doença permissiva. Imaginação vampira. Sinceridade finita. Infinito desonesto. Lembranças sangradas. Sangue em pó. Ampulhetas implacáveis. Mensagens secretas. Mensagens cardíacas. Abandono ditador. Segundo plano. Confiança morta. Olhos tímidos. Dor desmotivadora. Motivos fracos. Metáfora real. Controle temporal. Tristeza que transborda. Lábios secos. Lábios úmidos. Clichês romancistas. Mente controlada. Reflexo revolucionário. Saudade que acorda. Bocas desconhecidas. Olhos incomuns. Raiva jamais vista. Ódio inconseqüente. Morte imaginativa. Fim eminente. Fim iminente. Eterna subjetividade. Livro sem final. Bússola no teto. Mentira desnorteada. Espada sem bainha. Vista grossa. Tênue monólogo. Anéis prateados. Beijos fantasiados. Completamente incompleto. Castanhos foscos. Castanhos distorcidos. Castanhos destorcidos. Saudade lunar. Prata amarga. Ciúme mudo. Lembranças difusas. Idéias egoístas. Egoísmo de amor. Desistência rara. Força retroativa. Loucura sã. Lágrimas desertoras. Normalidade costumeira. Costume doloroso. Camas compartilhadas. Lençóis amarrotados. Novidade sem valor. Hiato eqüidistante. Salas gelo. Salas gesso. Quadros cegos. Compromisso desgastado. Conspiração espiral. Chuva chorosa. Laranja púrpura. Tríade de muitos. Mensagens homicidas. Mensagens torturadoras. Filete vermelho. Peito em pedaços. Cheiro de chuva. Maçãs verdes. Sonho traído. Poesia talentosa. Inspiração sem causa. Respiração sobrevivida. Viagens egocêntricas. Viagens decididas. Ida sem volta. Crônicas amorosas. Rosas roubadas. Mãos dadas. Serras misteriosas. Colinas desconhecidas. Pseudo-liberdade. Uso indevido. Velas ao vento. Versos lindos. Escrita mágica. Olhos mel. Olhos meus. Filosofia entorpecente. Voz entorpecente. Veludo em voz. Curvas brancas. Linhas negras. Anjos negros. Estrelas congeladas. Luas azuis. Telhados saudosos. Poentes sônicos. Lágrimas peroladas. Olhos mortos. Telefones tentadores. Dedos nervosos. Toque trêmulo. Orvalho quente. Pintas amantes. Fim iminente. Fim eminente. Baús de lembranças. Trancas eternas. Amor autista. Amor? Amor. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/6/2006 01:14:29 AM DATE: 10/6/2006 01:14:29 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: how can you say your life is empty?


Afinal, por que você ficaria outro segundo? —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 10/1/2006 05:23:29 PM DATE: 10/1/2006 05:23:29 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: don't be a little bitch


Querida Mary,

Em uma única pergunta: Onde está você? Já são quantas? Três, quatro semanas desde a última vez que nos vimos? Qual foi mesmo a última vez que nos vimos? Céus, Mary... Fico imaginando se você faz questão de me ver. Céus, Mary... até quando vai ser assim? É... não dá para resumir em apenas uma pergunta.

Talvez você ache estúpido receber uma carta minha. Mas, sinceramente, é o melhor jeito que encontro para me comunicar com você. Telefones, Mary, me assustam. E silêncios te incomodam. Eu nem sei mais o que te falar ao telefone. Por isso não ligo. E se eu não ligo, você não liga. Por maldito orgulho feminino ou por simples descaso mesmo. Caio sempre na bobagem de querer acreditar na primeira opção, contrariando o fato de que o mais certo seria crer na segunda. Mas, eu não sei o que te falar ao telefone e muito menos quando encontro com você. Gaguejo ao afirmar que nem lhe conheço mais. Que, com certeza, não sei o que você faz ou o que pensa. Principalmente o que você pensa. Desconheço o que você quer da vida ou de mim. Se é que ainda quer algo de mim. E, querida, eu cansei de fazer essa pergunta a você e às paredes de todos os quartos que durmo. Não faço idéia de onde tiro vontade para te ver outra vez.

Sabe, a verdade é que sinto sua falta. E até falar isso se tornou difícil. Sinto falta de quando eu parecia te fazer feliz. De quando meu jeito de ser parecia ser exato às suas carências. Os últimos meses, desde quando você decidiu ser como é hoje, foram os mais descartáveis de minha vida. Meses assim me deixam com medo de viver o resto. Me deixam desconfiado com tudo em relação a você. E, querida, acho que não confio mais em você. Ou talvez eu ainda esteja (e estou, droga) vivendo e te tratando como alguém que eu conhecia. Alguém em quem eu punha toda a confiança do mundo. No entanto, não conheço mais você. Nem parece que um dia fui "o amor pra vida inteira" que pousou em suas coisas. E se você ainda disser que eu sou, pergunto: Do que adianta ser amor pra vida inteira em alguns poucos momentos de sua vida?

Você diz estar vivendo muitas coisas. Outras histórias, outras diversões, outras raivas, outros. Adivinhe o que eu tenho vivido. Sim, porque você nem pergunta o que eu tenho vivido antes de dilacerar meu peito com suas experiências. Vivo nossas histórias, nossas diversões, suas raivas, você. Acho que não devia ser tão louco por você. E tenho certeza que não deveria ter escrito isso, também. O engraçado é que não me arrependo desse tipo de declaração. Não me arrependo de nenhum "eu te amo" e não me lembro do último que escutei. Não... na verdade eu me lembro. Estávamos em minha cama, abraçados e deitados com os pés para o lado da cabeceira. Nus. Entre seus cabelos desalinhados surgiram os olhos marejados de lágrimas. Foi o último. E saiu choroso, doloroso. Lembro de não saber o que dizer. Apenas te abracei o mais carinhosamente que pude. Aquele foi o último que escutei. É triste ter a quase certeza de que você não se lembra disso. Seus motivos para ter dito foram diferentes dos que eu esperaria. Era algum tipo de agradecimento por eu aceitar a situação que já durava tanto tempo. Foi inacreditável até para mim. Mas, aquele foi o último. E parando pra pensar agora, não me lembro do último que saiu da minha boca.

Hoje sei que passamos dos limites. Que você passou dos limites. Não nos vemos regularmente e deixamos de nos conhecer. Você vive outras coisas e eu não sei mais o que sou para você. Não sei como me portar ao lado do seu pouco caso periódico. Pergunto se o dia de amanhã vai ser diferente. Se meus amigos vão parar de querer me ver longe de você. Entende a gravidade da situação? Estou ficando sozinho por sua causa, querida. Isso é, se "estou ficando sozinho por sua causa" não for eufemismo para "estou sozinho por sua culpa".

Dá pra voltar a ser como antes?

P.S.: Não sei o porquê de ainda te tratar como "querida".

Do seu, sempre seu,

Jack. —– ——–