AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 11/30/2006 01:13:44 AM
DATE: 11/30/2006 01:13:44 AM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: to Lucy
Lucy. 31. Londres.
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Eles se enganam com as morenas.
Aquelas, com olhar perdido, cabelo preto e comum, falsas de carteirinha, cheias de si. Com a pele fosca, tentando fugirem do clichê de serem pardas, muitas, sem graça. Não são princesas. Quiçá rainhas.
E que cor de olhos têm?
Eles sempre se enganam com as loiras.
Aquelas, com o cabelo bem falso, branco. E liso, será que sempre fora liso? A pele é de qualquer cor e jeito. Como a de qualquer pessoa que passa. Aquelas que pareceriam princesinhas se fossem européias. Mas, não; são água oxigenada.
Loira de olho azul, e castanho, e preto, e verde. Lentes.
Eles nem sempre preferem as ruivas.
Aquelas, com o cabelo cor-de-fogo para chamar a atenção. Algo escarlate num mar de leite. A pele é branca, oras. Cheia de ferrugem. Essas eles nunca viram. Ruivas naturais não existem porque essas adeptas do vermelho-sangue acabam virando loiras. Comuns, mas nunca morenas.
Ruiva não tem olho. Não existe.
Eu tenho o cabelo castanho claro. Ele é liso na raiz e eu obrigo ele a ser cacheado nas pontas. Meu olho é meio amarelo e minha pele tem pintinhas cor-de-rosa.
Sou linda. E só você, que nunca foi um deles, me prefere.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 11/21/2006 12:41:25 AM
DATE: 11/21/2006 12:41:25 AM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: percebi uma coisa: Estou enferrujado. Há tempos não escrevo algo que me deixe com a sensação de uau-eu-escrevi-mesmo-isso? Estou enferrujado. Mas, dane-se. O título é grego e eu gosto de coisas com títulos gregos. Pois, aí está:
hupokrisis
Certa vez afirmei que mentir é uma arte. Apesar de muitos tentarem comer meu fígado depois de tal afirmação, reitero: Mentir tanto é uma arte que não é qualquer um que a domina. Oras... imagine se todos pintassem como Picasso ou escrevessem feito Neruda? Qual seria a importância dos gênios? Do que valeria a audácia dos que nasceram com um quê promissor? Nada, nada. A arte não seria arte se fosse comum. A arte só é bela porque os artistas são incomuns. Simplesmente incomuns. E se mentir é uma arte, logo não é qualquer piá presunçoso que vai poder sair por aí distribuindo inverdades. Mentir é uma arte que, aposto, você não domina.
A mentira, por pequena que for, requer todo um trabalho. Um imenso planejamento. Quem não encara o mentir como quase manipulação do futuro não deve nem pensar em pensar em mentir. Repare: O universo corre por uma infinita trilha de possibilidades. O poder de um sim bem colocado ou de um não propositalmente esquecido pode fazer toda uma vida mudar, todo um universo escorrer pelo ralo. Ah... e são tantos os campos da mentira!
Não nego que há o mau uso da arte. Sim, porque a mentira, tenha certeza, é altruísta. Não conhece o egoísmo. Quem mente faz isso pelo outro. Pelo bem de um todo. Qualquer ação egocêntrica aliada à mentira não é arte. É maldade. É falsidade. É um câncer quase que incurável. Quem faz o mau uso de qualquer coisa, aliás, só constrói algo que deve ser destruído. E chego a me entristecer tocando nesse ponto. Não que eu seja o criador, mas sinto-me como Santos Dumont ao ver o avião sendo usado na guerra. Ou como Einstein assistindo incrédulo o cogumelo gigante crescer em solo japonês. Quem mente com intenções errôneas perde a humanidade. Adoece.
Se encherem uma sala com crianças e pedirem para levantar a mão aquelas que nunca mentiram, todas vão levantá-las. Está criada uma supernova de inverdades. Todas mentem. Para não chatear a mãe, Karla colocou outro peixinho no aquário no lugar daquele que havia morrido. Para agradar a vovó papa-óstia e mantê-la acreditando que a Igreja não está perdida, Juliana jura de pé junto que reza todas as noites. Para alegrar o tio dentista, Luciana diz repudiar balas e gomas de mascar. Grandes pequenas mentirosas. Note que, diferente do que dizem, crianças mentem. Mas elas mentem para um bem maior. O problema são aquelas que criam o tumor. As que encontram no criar uma arma para fugirem dos problemas, das obrigações, da vida, de si próprias e das outras mentiras irresponsáveis que criaram. Mal sabem elas que esse cancro vai consumindo tudo. Consumindo até não sobrar um sopro para poderem respirar. Tais crianças ficarão doentes e não saberão mais viver fora da irresponsabilidade. Vão definhar. Perderão a cor. A graça. A vontade de fazer. Vão negar. Vão fugir e tapar cada fuga com novos impropérios. Vão encher a boca para proferir palavras vazias de quem não sabe nem mais o que falar para se reencontrar. Cena lastimável.
Sendo um pouco mais íntimo, a carne arde quando sinto cheiro de algo teatral. Inverossimilhança de má qualidade tem um cheiro ocre. Me dá preguiça. Ainda mais quando é aquela do câncer em fase terminal. Quando a pessoa está tão embriagada no veneno de segunda que nem sequer reconhece quem está xingando. Anseio tentar salvar, mas a cada agulhada na íris vejo não valer a pena. A bondade seráfica está deveras gasta. Estou quase entregando os pontos para poder assistir de camarote a ascensão e queda de um anjo que finge ter plumas no lugar da cera. Como diriam os gregos, hupokrisis.
Então... Mentir. É uma arte. Tanto é uma arte que, quem sabe, não sou eu que há 4 anos aqui escrevo. Quem sabe é meu irmão que cria todos os textos e eu usurpo cada vírgula. Quem sabe eu sou o Matheus e você ainda acha que o Marcos está vivo. Enfim, já que mentir é uma arte, não brinque se não for um gênio. E você sabe que de gênio não tem nada.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 11/10/2006 02:29:32 PM
DATE: 11/10/2006 02:29:32 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: between 9 and 10
E para escrever algo que realmente preste é preciso inspiração. Um motivo qualquer. Os contornos, os perfumes... até mesmo fazer do não ter motivo um bom motivo para se libertar. É até mais fácil criar linhas e mais linhas sobre o nada mais confuso e complicado que pode-se existir, no entanto quando há do que se falar tudo fica mais doce. É um custo, uma obrigação que vale a pena. Tanto vale que cá estão linhas nascendo mais por vontade própria do que por qualquer outro motivo. E... ei! Que ótimo motivo é escrever porque as linhas têm vontade própria.
Então, é noite e chove muito de uma chuva diferente. Era choro de alguém. Um alguém perdido no tempo, mas chovia. E choveu até quando não se percebeu mais e a atenção era toda para o cubo mágico do pequeno bruxo. E tudo se apagou, e as conversas foram ficando mudas, e a mudez combinava com o escuro da noite que chorava. Chorava? Ou chovia? Tanto fazia. Era noite e bastava.
Não sabe onde está. Perdido com um mapa. Prefere se perder até quando não quiser mais estar perdido. Metade da perdição? Um terço? Três quartos?
De repente, claro. Muito branco. Branco de névoa e cheiro de terra molhada. Parou de chover ou chorar, mas o choro nem alcança ali. Mas tudo era plano e diferente. Plano de uma plenitude sem igual. Um planalto que convidava buscar no horizonte o fim da perdição. Buscava no horizonte desenho de menino nunca colorido. Lembranças de um futuro com gosto do azul do céu.
De branco a cinza em minutos e o ar seco despertava outras conversas e risos histéricos. Nervosismo. Átrio, ventrículo, ventrículo, átrio. Taquicardia. Vermelho do rubor e da blusa.
Terminal. Ansiedade terminal. Sensações em parafuso. E de lá descer sem saber onde pisar. Em terra sem morros sente-se nu. Pássaro sem asa. Realizar que não sabe voar em ar tão seco, não sabe entender dialeto de quem passa rápido e carrega os outros. Desesperador seria se não fosse por um sorriso tímido.
Timidez e esmalte. E vestido e bolsa. E cabelos. E perfume e abraço. Não necessariamente nessa ordem. Quente e frio alternados numa briga onde quem vence é somente aquele que não se importa. Abraço e timidez e esmalte. Entre o nove e o dez. Entre muitos outros encontros e histórias. O desejo de cair pra sempre no doce azul do céu de sua boca.
No final, se alguém perguntasse, só saberia dizer: Ela é linda.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 11/3/2006 01:11:32 AM
DATE: 11/3/2006 01:11:32 AM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: west
Se me dão licença, eu vou ali viver um pouco.
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