AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/24/2007 08:42:56 PM DATE: 3/24/2007 08:42:56 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: márquez


"Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética."

Gabriel García Márquez, em Memória de minhas putas tristes. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/13/2007 04:49:38 AM DATE: 3/13/2007 04:49:38 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: the perfect number three


"Danças e achismos e ironias me lembram beijos secretos em noites escuras. E cachorros e pais malvados. E fotos e selos inúteis. Imagine só... selos inúteis. Desenhos que saltam das paredes para irem para o papel e voltarem para as paredes. Uma confusão que só você, talvez, entenda. E eu sei que você não sabe dançar. Eu sei que é seco, eu sei que é oeste. Sei que é custoso e fotográfico. Então, abraça. É preferível. Porque te ver é como morrer de amor aos dez anos de idade."

13 de Março de 2004, o dia em que desisti de desistir. O dia em que fui descoberto.

"E então o pai dela aparece e coloca ele pra correr... Ou então um cachorro mau começa a correr atrás..."

Karla Nunes. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/10/2007 08:48:12 PM DATE: 3/10/2007 08:48:12 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: when angels fall again


- Pai...
- ...
- Papai...?
- Diga, pequeno. - e desviou os olhos do jornal para o menino que brincava no chão da sala.
- Pra onde a Tatá foi?
-...

Tatá havia partido. Partido. E ninguém nunca havia contado a Roberto, que acabara de completar quarenta anos, para onde iam as pessoas que partiam. Desde criança ensinaram-lhe que todos partem; e isso bastava. "Pare de pensar nessas coisas, menino! Vá ajudar seu pai na venda!", era o que a mãe geralmente usava como resposta para cada pergunta e idéia que o afligia. Trataram-no como adulto desde quando era do tamanho do dono daqueles amendoados olhos ali no chão. E mesmo depois de tantas partidas, ele ainda não fazia idéia para onde vão todos os que partem.

- Papai? Você me escutou, papai?

Viu-se naquela situação. O papel inverso. A responsabilidade de explicar o inexplicável estava toda em suas mãos. Por uma fração de segundo entendeu como sua mãe se sentia com aquelas perguntas. Roberto quis chorar, mas respirou fundo, desfez o nó que incomodava a garganta e sorriu para o filho:

- Tatá foi sorteada, pequeno. Foi ali buscar o prêmio. Existe um imenso concurso, sabia?
- Concurso, papai?
- É... um concurso! Dos grandes! E todo mundo participa.
- E o que Tatá ganhou, papai?
- Asas, meu filho. Asas.



Força, Julles. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/4/2007 07:59:20 PM DATE: 3/4/2007 07:59:20 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: run for a mango - first chapter


- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.

Essa é uma história sobre o que se consegue e sobre o que não se consegue. Bem... eu não devia falar do que se trata uma história antes mesmo de contá-la. Acho que as pessoas deviam entender depois de lê-las. Enfim... já falei, mas aposto que poucos vão entender a história como uma que fala sobre o que se consegue e sobre o que não se consegue. E saber que quase ninguém vai conseguir entender é bem legal.

- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.

Janeiro significa verão e sol e tardes de rua. Tardes na rua. Férias, oras. Janeiro era um templo para aquele pequeno mundo de chinelos como trave, pés descalços e asfalto. Meninos, moleques, garotos em férias. Meninos guerreiros. Meninos-guerreiros. Entre comuns discussões entre o Gi, o Gilmar e o Sula; entre os choros do Pedrinho que podia sentir dor, menos ver sangue; entre os foi-não-foi-gols; entre as bolas rolando ladeira abaixo, porque jogavam numa ladeira... Entre tantas coisas comuns no ano todo, aquilo era Janeiro. "Ôh, Alexandre!... Ôh, Matheus!... Ôh, Pedrinho!... Ih... o Sula falou que a mãe dele não tá em casa. Nem o Gi. Eles nunca podem sair. Que saco."

- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.

Bráulio e Olhão e Guguinho tinham idéias mirabolantes. Olhão era mais aventureiro que qualquer um, o que os fazia pensar que ele iria morrer cedo. Mas tanto faz. A idéia era legal. Era Janeiro! "Ah... a gente vai andando por ali. Pelos sítios. Passa do campinho da Véia, do Zé Rainha... Vai até lá perto da Lagoa! Mangueiras cheinhas, cheinhas!"

Meninos guerreiros em férias. Não era dia de futebol. Ou foi pela manhã. Tanto faz. O fato é que a tarde convidava meninos para o nascente em busca de mangas. Pequenos ladrõezinhos descalços rumando para leste sedentos por mangas. Aliás. Minto. Pedrinho não andava descalço. Raramente o viam de chinelos. Tinha uma alergia lá nos pés. "Cinco chuteiras de futebol de salão por ano!", dizia o Anibal, pai dele. Nunca souberam se com orgulho ou com pesar. E além do Pedrinho, a milícia daquele Janeiro era formada por Olhão, Bráulio, Guguinho, Marcos, Neto e Pidón. Matheus não foi porque tinha que jogar vídeo game. Alexandre não foi porque "era criança demais", dizia o Olhão com total aval do Neto e do Bráulio. Gi, Gilmar e Sula não foram porque não. "Porque o Gi tava lá sim que eu escutei a voz dele quando chamei. Escutei sim. Tão é brincando naquela piscina tosca de plástico!", dizia o Guguinho. "Sério que eles têm uma piscina?", perguntou Bruno, o Pidón. "Olha aí. Já vai lá pedir pra ir na casa deles amanhã, né Pidón?", gozou o Bráulio, que foi o cara que colocou alcunha no pobre do Bruno. Mas... ele realmente pedia demais as coisas...

- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.

E eles foram. Marcos e Pedrinho atrás, Olhão e Bráulio e Neto na frente. O Guguinho e o Pidón deviam estar fazendo qualquer coisa estúpida junto aos muros dos sítios e das casas. Foi o que mais fizeram naquele dia. Tanto que acharam um monte de mamonas e ficaram eufóricos ao entender o que era o bichinho verde na capa do cd dos Mamonas Assassinas. "Putz... nada a ver assassinas. Elas são venenosas?", disse um frustrado Guguinho cheirando a pequena mamona. "Come e vê!", respondeu o Olhão jogando uma na testa do Pidón. Era o início de uma batalha entre dois flancos. Duas calçadas. Guerras de mamonas. Acho que foi ali que o Guguinho entendeu como as mamonas podem ser assassinas. Todos eles, mas é o tipo de constatação que meninos guardam para quando vão dormir.

A guerra só findou-se quando Marcos correu e subiu naquele muro verde da rua do Clube Progresso. "Olha o tamanho dessa manga! Ela é vermelhona!".

Tão peculiar presenciar a meninos subirem em muros. Tão habilidosos. "De quem é esse sítio? Que burro, que burro! Fechou com muros essa mangueira. Tá pedindo pra gente pegar. Arranja uma pedra, Pedrinho!", pediu o Marcos sem tirar os olhos da solitária mangueira. Ah... é. Pedrinho não tinha muita habilidade pra subir em muros... Mas a mangueira nem estava tão solitária assim. Tinha a portinhola verde, combinando com a cor do muro...

- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.

to be continued —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/4/2007 02:39:31 AM DATE: 3/4/2007 02:39:31 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: say goodbye to the moon


Eu tinha que contar uma história, né? Mas a lua foi dar um passeio. —– ——–