AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 7/30/2007 09:29:58 PM
DATE: 7/30/2007 09:29:58 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: retro V
Menina, partem tão tristes
Meus olhos por você, meu amor...
Nunca tão tristes
Foram por alguém.
Tão tristes, tão saudosos...
Tão doentes de saudade.
Tão cansados, tão chorosos...
Mil vezes morte que vivacidade.
Partem tão tristes, os tristes
Tão machucados pela espera
Que nunca tão tristes
Foram por ninguém.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 7/24/2007 03:23:59 PM
DATE: 7/24/2007 03:23:59 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: let's face it
Os blogs, como conhecidos um dia, morreram.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 7/14/2007 05:51:05 PM
DATE: 7/14/2007 05:51:05 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: selfish little boy, there's life after you
Vejo mundos se chocando. Vejo pessoas seguindo meus passos às cegas. Pessoas que não têm a mínima vontade de me encontrar. Ou será que estou perfeitamente enganado? Vejo fotos póstumas de uma certa vida; muitas fotos. De duas vidas, aliás. Às vezes acho que são pequenos sinais para fazer de outro modo. Às vezes quero acreditar que são. Me sinto errado. E certo. Pisando em ovos que não se quebram. Ei, mas são ovos.
Achei que depois de mim nada seria bom. Tive a certeza de ser bom o suficiente para que depois de mim nada fosse bom. Egocêntrico reprimido. Vejo, às vezes, em súbitos de loucura ou embriaguez dos outros, que estou certo. Mas é só às vezes. E estar certo às vezes é sinônimo. Não. É eufemismo perfeito para se estar às vezes errado. E mesmo assim prefiro continuar me sentindo errado. E certo. Não mudo em nada. Talvez uma pequena elevação do ego, mas só. Do que adianta? Nada.
Vejo rostos mudando. Sorrisos velhos mudando. Pessoas experimentando coisas sem o meu aval. Com que direito agem assim? Vejo que fui muito enganado. Pelo menos eu sabia de tudo o tempo todo. É aceitável. O problema é que a sensação é a mesma de ter um monte de contos de réis. Um monte. Um tanto pra ser chamado de rico. Mas são contos de réis, oras. Vejo situações de quase, de constrangimento e possível euforia. Coisa fora de controle. Mas quase é, também, eufemismo perfeito pra qualquer coisa aí que me dá preguiça de explicar. Vejo o planeta rodar e desconfio que um ponto qualquer no globo não volta para o mesmo lugar do universo em 24 horas.
Quero escrever coisas melhores. Coisas que anulem os eufemismos e alimentem meu egoísmo reprimido daqui alguns anos. Não, não. Que anulem por minha vida inteira. Coisas que reforcem tudo o que eu queira reforçar. Isso. Isso mesmo.
Mas que merda. Há vida depois de mim. E eu me sinto tão insignificante por isso.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 7/6/2007 04:17:08 AM
DATE: 7/6/2007 04:17:08 AM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: run for a mango - finale
- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.
Ok. Faz tanto tempo que nem sei onde parei. Vejamos... ah! A piscina. O Neto viu uma piscina. Todos olharam e viram a piscina que o Neto havia visto. E, claro, todos correram e era verão e blá, blá, blá.
- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.
Ajudaria bastante se eu pudesse desenhar ou se vocês pudessem ver o filme que passa pela minha cabeça quando conto cada passagem. Essa dos meninos correndo, então. É quase poesia. Saíram da rua que levava até o Clube do Progresso e desceram essa ruela a passos largos. Ah... vocês deviam ver esse filme! A mistura do sol com o asfalto, o barulho dos chinelos e das risadas, a imagem da corrida torta do Pedrinho... tudo. É quase poesia. Sem falar da implícita e eterna disputa sobre tudo. Se era futebol, contava-se os gols e o número de jogos sem perder. Se era esconde-esconde, aquele que possuía a melhor imaginação para esconderijos. Se era, e esse era o caso, correr, a disputa era a de quem chegaria depois do Marcos. Sim, porque o Marcos corria qualquer coisa de... absurdo. Matheus discordava que corria menos que o irmão. Até hoje discorda, creio. Mas se fôssemos discutir isso, entraríamos em outra história com outros personagens. Voltemos à piscina. Só esperar o Pedrinho e seus pés tortos chegarem e já continuo...
- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.
Pois bem. Eles desceram a ruela correndo para chegar até a piscina. Tal piscina que ficava dentro de um sitiozinho mal e porcamente cercado por arame enferrujado e farpado. Mais enferrujado do que farpado. Tá. Ok. Não era um sítio. Mas qualquer terreno com um ar bucólico era sítio para eles. Marcos, Olhão, Neto, Bráulio, Pidón, Guguinho e Pedrinho (nessa exata ordem) chegaram em frente a porteira acinzentada que ficava a pouquíssimos passos do contraste que o azul dos azulejos da piscina fazia com a terra vermelha em volta. "Será que tem alguém ali na casa?", desconfiou o Guguinho, já que o sitiozinho nada mais era do que um terreno cercado, uma casinha, algumas árvores e a piscina. "Eu acho que não tem ninguém. Tudo fechado... sem barulho...", disse Olhão já tirando o único tênis que possuía. A exemplo do companheiro, todos foram se despindo. Os corpos magrelos agora só tinham as bermudas como proteção. Juntaram as roupas na calçada e pularam a porteira sem dificuldade. Até mesmo o Pedrinho pulou com maestria. "Olha meu mortal, Guguinho! Olha meu mortal!". E lá foi o Olhão, claro, pular dentro d'água fazendo uma manobra meio de lado e meio de frente antes de cair. Bráulio e Neto agarraram o Pidón e o jogaram dentro, acusando o pobre pedinte de não se banhar devidamente. Coisas assim. Era verão e o vento quente soprava mais do que nunca. Os meninos em férias tinham uma piscina só pra eles.
Enquanto Pedrinho e Marcos conversavam sentados à borda da piscina sobre os coquinhos e Bráulio e Pidón e Olhão e Neto travavam uma briga de galo dentro da piscina, o Guguinho desbravava o pequeno terreno. Ele era assim. Sempre foi. Fazia coisas diferentes das que realmente importavam para a maioria. Foi numa dessas que ele achou moedas antigas e fios de poste. Era o máximo. Pra ele. Só que desta vez o garoto parecia não encontrar nada de interessante. Já estava decidido a ingressar na briga de galo com um dos dois sentados na borda quando viu o que definitivamente não devia ter visto. Para o bem de suas pobres costelas, ele não deveria ter visto.
- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.
"Gente... olha! Olha... como é o nome daquilo mesmo... errr... Jaca! Jaca! Uma jaca!", dizia quase pulando o Guguinho. "Argh... Odeio Jaca.", disse um enojado Marcos. "É ruim? Tem gosto de quê?", perguntou o Pedrinho. "De Jaca, ué!", respondeu Neto que, juntamente com Bráulio e Olhão estava dando mais crédito em afogar o Pidón do que pra imensa fruta do terreno vizinho. "Eu vou pegar!", disse com entusiasmo o descobridor do tesouro. E lá foi ele. Ah... quase ia me esquecendo. A jaca não estava no pé. Não. Não estava. Aliás, eram umas três jacas em cima de um caixote de madeira. O caixote estava bem próximo da cerca de arame enferrujado. Presa fácil, se é que posso dizer assim, para um integrante daquela gangue.
Bem... as coisas estavam boas. Piscina, sol, jaca, férias. As coisas estavam realmente boas. Se bem que não havia mais tanto sol assim. É... não havia. A tarde estava passando rápido e já fazia menção de chamar a noite pelo nome. E lá estava o Guguinho se esticando todo para pegar uma das jacas com todo cuidado para não se arranhar com o arame. Foi quando escutaram o barulho seco e ele deu um grito. Riram por achar que ele havia se arranhado. Guguinho se contorcia e berrava. Outro barulho seco e Guguinho agora corria e berrava. "Mas que merda é ess... Ai!!", disse e gritou Marcos. Seu ombro direito ardeu como nunca havia sonhado que poderia arder. Em segundos Pidón também provou da mesma sensação. E o Neto também. E o Olhão, coitado. Uma, duas, três... quatro vezes nas costas nuas. "Cambada de moleque! Pivetes! Sumam daqui! Pivetes! Vão roubar a mãe de vocês!", vociferava uma voz sabe-se lá da onde. "Atira neles, pai! Atira!", incentivava uma outra. "É sal! É sal! Tiro de sal, Pedrinho! Corre!", disse com propriedade um choroso Olhão. E, nossa, eles correram.
- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.
É bem provável que um boné ou um chinelo tenha ficado para trás durante a fuga. Por incrível que pareça, quem sabe, naquele dia, naquela fuga desesperada, Pedrinho tenha conseguido acompanhar o Marcos numa subida em carreira. A verdade é que lá no alto da ruela eles já estavam rindo e rumando para os lados da Lagoa.
O que aconteceu a partir dali não tem muita importância. Conversas comuns sobre futebol, xingamentos e comparações de feridas. Nessa disputa o Olhão ganhou em número e o Guguinho em vermelhidão.Talvez no caminho até a Lagoa e de volta para casa eles tenham guerreado novamente com mamonas. Talvez tenham achado mais mangueiras e catado mangas usando pedras. Talvez algum deles tenha acertado um carro com as pedras. Não foi muito importante. Como eu disse, essa seria uma história sobre o que se consegue e sobre o que não se consegue. E, repetindo, aposto que poucos vão entender a história como uma que fala sobre essas coisas. Ora... convenhamos. A mágica de se contar uma história está nas piscinas que cada um imaginou. No contorno das mangas de cada fértil imaginação. O entendimento de cada um acerca das peraltices desses moleques está além do meu controle. Mas se lerem com bastante atenção vão com certeza entender do que estou falando. Se bem que, não sei... é mais gostoso enxergar a coisa toda apenas como uma aventura boba de verão. Coisas de meninos-guerreiros. Algo que deveria ser escrito. Documentado. Algo que valeria a pena ser lembrado e exaltado. Afinal, todo garoto merece correr atrás de mangas. Todo garoto merece ser herói.
- Corra, menino. Corra. Olha a bola ali. Corre. Você tem que chutar a bola, menino.
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