AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/31/2008 11:15:39 PM DATE: 3/31/2008 11:15:39 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: retro X


odonata

Pois bem. Algo mais extenso e intenso. Aliás, subjetivo; a melhor das válvulas de escape. Posso vomitar comparações e idéias em seus tímpanos que o único ruído que irão escutar será o da completa alienação. Estranho, todavia me satisfaço com isso. Deixo o melodrama quase transbordar a prata e no instante preciso anjos demoníacos berram minhas feridas sem que ninguém entenda. Ou quase ninguém. Ou você. Ou então você. Sinceramente, queria que você entendesse. Melhor. Gostaria que evitasse explicações, porque não sei explicar nada para você sem ter medo do meu absurdo direito de ser assim, tão eu. Já matei reflexos que se emudeceram ao invés de morrer, já gastei hipérboles além da conta e, mesmo assim, não vi suas asas tamparem a morenice. Daí pergunto: Onde está a magia das bolhas púrpuras? E eu mesmo respondo: Estão unicamente dentro do seu utópico mundo de pequenas princesas perfeitas. Pequenas e prateadas princesas.

Eu sou um mentiroso. Mentir, já disse, é uma arte. E diferente do que todos ou ninguém pense, grandes mentirosos não são aqueles que enganam o máximo de pessoas por cada palavra dita, nem o que formula milhões de fantasias numa fração de segundo e escapa das situações mais inusitadas com auto-louvor. Bons mentirosos são os que sabem com o que mentir. Afinal, há mentiras boas e mentiras ruins. Bobas e ambiciosas. Quando um mentiroso mente, um filme com todas as reações do seu ato queima suas retinas. Essa é a grande diferença dos que são e dos que não são. O resultado. O fim. O que vem depois. Isso interessa bastante. A inverdade é ferramenta de quase manipulação do futuro, não mero brinquedo de criança imatura e inominável. Infelizmente, céus, brincam. E é por isso que vomito em seus tímpanos. Não sabem com o que e muito menos com quem mentir. Patético. Triste. Vergonhoso. Tão patético e triste e vergonhoso quanto eu. Ei... esse é o meu maior segredo. Espalhe para todos: Eu sou triste.

Ouvi falar em reviver. Não um reviver como nova chance, mas como paródia cinza das mesmas vivências. A terceira vez é sempre a última. Eu não quero viver a terceira vez. Quero te encontrar antes de acabar a segunda. Seja lá onde você esteja. Em mim, em você, nos outros. Se em mim, que eu tranque com a certeza de que está. Se em você, que eu roube e tranque. Se nos outros, que eu morra. Mas que tranque antes do "eternamente para sempre".

Só queria voar de verdade e esquecer por alguns segundos o que nos tornamos com essa distância quilométrica dos nossos centímetros. Estou sobrevivendo no limite. Oras... eu respiro esses sonhos de duas letras. Sobreviver assim me faz ser pior do que não saber mentir. Negar certas coisas a si mesmo é algo como o oitavo pecado capital, ser a lança no peito de Cristo e etcéteras e tais. Estou esperando salvação desse estar dentro do que não sou, desejando piamente estar dentro de você quando nossos olhos estiverem cerrados e trêmulos e amantes. Salva-me, princesa de prata. Salva-me.

Acordar. Voltar à realidade da mudez dos telefones. Da facada das mensagens. Da impotência de ser nada para o tudo. Da realidade de ser triste. Acordado. É a última do ano até que vôos de libélula mudem os ventos. No mais, contemplem a maravilha do vácuo que me tornei. Critiquem a melancolia impressionista do meu escrever. Talvez percebam o quanto sou realmente mentiroso. Só aí compreenderão a complexidade e a profundidade do oceano das princesas utópicas.

/off

Eu não publiquei um livro. Mas o livro existe. É um livro. Um só. Presente. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/24/2008 12:26:19 AM DATE: 3/24/2008 12:26:19 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: what about marcos


Entre tantas historietas de amor,
de aventura e fantasia, Mar de Morros se resume
a uma única coisa: discorrer sobre mulheres que
brincam com a vida. Não no sentido
pejorativo da palavra, claro. Brincar com a vida é
uma das melhores coisas que existem e isso é um fato.
De Novembro a Novembro, Marcos se delicia
inventando treze dessas brincadeiras
para simbolizar os melhores meses de sua vida até hoje.
Seja em versos brancos ou prosa peculiar,
é com certeza que a cada leitura um
sentimento novo surge. O autor criou uma obra
descompromissada, misturando realidade fantástica
com fantasia que bem podia ser real.

Marcos Oliveira nasceu em 1986,
em Belo Horizonte. Hoje é um blogueiro,
estudante de Psicologia na Universidade Federal
de Minas Gerais e namorado da Karla.
Não necessariamente nessa ordem.

***


Eu escrevi um livro e transformei-o em presente. Eu escrevi um livro e transformei-o em presente e redigi essa orelha no final. Como em livros de escritores consagrados e famosos, sabe? Sei que eles não escrevem as orelhas dos próprios livros, mas não podia dar o livro para ninguém ler e fazê-la para mim. Detalhes, claro. Só detalhes. E o que eu queria dizer mesmo? Ah! Lembrei. Lembrei que não me lembro. Só sei que é pesado. Muito pesado. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/20/2008 08:44:51 PM DATE: 3/20/2008 08:44:51 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: sweet sir galahad


Eu não tenho o que escrever hoje. E talvez não tenha o que escrever amanhã. É como ontem. Não tinha vontade de escrever ontem. Estou mais para desenhar do que para escrever por esses dias. É possível que você diga "Vá desenhar", mas não se trata disso. Sinto-me comedido, travado. Sinto-me usando um conta-gotas de palavras. Não quero conversar com você. Quero me encher do vácuo de clichês e depois voltar pra casa satisfatoriamente insatisfeito. Falta significado em tudo o que faço. Falta ordem nessas linhas. Falta sabor em tudo. Sinto-me falta. Acabo de desperdiçar um ótimo título para um post qualquer. Perdoe-me, Baez. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/9/2008 12:53:36 AM DATE: 3/9/2008 12:53:36 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: where did I go wrong


- Por que você não arruma sua cama?

- Porque é uma coisa estúpida. Vou deitar em algumas horas e os lençóis amanhã vão estar como estão agora.

- Isso é preguiça, sabia?

- Talvez seja. Não me importo. Quer arrumar pra mim?

- Não. Arruma a cama. Por favor.

- Por quê?

- Arruma.

- Mas eu não te falei que acho estúpido? Às vezes, quando arrumo, sinto que ela ficará ainda mais desarrumada depois. E de certo modo ela fica. Deito, tenho a boa e estranha sensação de limpeza e durmo. Mas a cama sempre fica mais desarrumada depois. De certo modo, sei lá, ela fica mais desarrumada.

- Hum. Arruma. Por favor?

- Ok. Arrumo sim.

- Posso mexer em seus livros enquanto isso?

- Você já está mexendo.

- Tá... não mexo mais.

- Pode pegar, oras. Não falei como falei dando ar de "não quero que mexa".

- Hum.

- ...

- Vou tomar banho.

- Por que você faz isso? Você pode mexer no que quiser aqui.

- Faço o quê?

- Essa coisa. Esse soco ao contrário. Você sempre faz isso.

- Soco ao contrário...

- É. Eu te dou um soco, mas ele sempre parte de você, entende? Me espanta a agudíssima força que coloco nele.

- Desculpa.

- ...

- Vou tomar banho.

- Ok. Vou esperar aqui deitado.

- Tudo bem.

*


- É uma boa e estranha sensação de limpeza, mas eu sei que amanhã pela manhã o cobertor vai estar no chão e os lençóis com certeza vão estar mais amassados e bagunçados do que agora há pouco. De certa forma eles sempre ficam mais bagunçados. Ela, como de costume, fecha a porta do banheiro e demora mais do que eu demoraria pra ligar o chuveiro. E eu nunca perguntei o porquê.

"- Eu não preciso de uma ilha.

- Mas não é por isso que você está comigo: porque eu vou te dar uma ilha?

- Não.

- Hum. Sei lá. Daria um filme, não? Um cara que promete uma ilha pra garota e ela fica com ele esperando ganhar uma ilha. Mas na verdade eles só ficam juntos porque se amam muito além do inconcebível, daí a espera pela ilha é só um pretexto pra durarem eternamente, visto que ele comprar uma ilha é algo impossível.

- Uhum... vende a idéia.

- Para eu ficar rico e comprar uma ilha, né?

- Bobo."
—– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 3/2/2008 05:21:47 AM DATE: 3/2/2008 05:21:47 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: sleep, girl, sleep


Com quantos pecados
se faz um amor platônico?
Conto;
meus erros, seus medos
e um livro que sele. —– ——–