AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 5/25/2008 06:12:40 PM
DATE: 5/25/2008 06:12:40 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: garbage
Eu deveria terminar de escrever sobre a vida, começar a falar de amor e dar o porquê. Mas não. Por enquanto não.
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AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 5/2/2008 11:57:01 PM
DATE: 5/2/2008 11:57:01 PM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: life and love and why
life
Se subjetividade um dia foi a melhor válvula de escape, hoje dificilmente diria o mesmo. Pelo menos agora, nesse exatíssimo momento, não é. Ouço demais falarem sobre subjetividade. Em toda sala, todo corredor corriqueiro de minha cansativa vida as pessoas falam sobre coisas subjetivas. Coisas que não me dizem respeito ou que simplesmente, e friso no simplesmente, não me importo. Eu frisaria no não me importo se já não tivesse frisado o simplesmente. Tudo anda complicado demais, tudo acaba sendo simplista demais como um blog diarinho. Constrange-me usar isso aqui como diário apenas destrancado quando se tem vontade. E pensando bem sobre a coisa de não me importar: eu realmente não me importo com um monte de coisas que para muitos seriam preocupantes. Talvez, quem sabe, talvez eu não seja uma pessoa preocupável. Já me chamaram, e chamam, de tranqüilo. Despreocupado. Manso. Sou tão manso que abuso e uso de apostos. Sou um aposto, aliás. Sempre estou entre e digo coisas a mais. Já disse isso. Sou um aposto. Mas o que vale ser se as coisas estão como estão? Não vale, é óbvio. Ou vale, sabe? Quem sabe vale um tantinho assim bem pequeno. Pequenino mesmo. Tão pequeno que engana os olhos que se viram pra dentro e assumem posição de subjetividade. Mas eu não me importo, oras. Não me importo com tamanho, com distância, com tempo, com saudade, com certo, com errado, com o que vão achar, com ninguém. Só comigo. É uma verdade. No final das contas a maior importância que dou é para o meu umbigo. Para o meu belíssimo umbigo. Sou egoísta e duvidaram prontamente quando externei tal coisa. Oras. Foi só para não dizer que não avisei. Mas, ei. Como sou cru. Como sou seco. Como sou cruel. Cruelmente cru. E preguiçoso. Ah, a preguiça. Sou tipo o rei da preguiça e em meu reino é proibido exercer força maior do que a força exata para executar somente aquilo o que eu quero. E o que eu quero varia de hora em hora, de mês em mês e de ano em ano. E de quatro em quatro anos, falo sério, mudo completamente. Ok, exagero no completamente. Mas posso dividir minha vida em Copas do Mundo. Em 1986 nasci e ninguém sabia o que fazer comigo. Era mais excitante viver numa democracia do que centrar as atenções em só mais um bebê. O mundo conspirava contra qualquer indício de meu nascimento. Veja bem: meses antes de eu nascer outros acontecimentos roubavam as atenções. A Challenger explodiu em pleno vôo, o cometa Halley se deixou ver a olho nu e Chernobyl, como a Challenger, resolveu brincar de desastre. Enfim, o fato é que as atenções não estavam voltadas para mim. E poderia ser pior. A Copa quase aconteceu por aqui, mas os militares e seus coturnos lustrados com AI's recusaram a oferta da FIFA alguns anos antes, logo depois que os colombianos desistiram de cediar o evento. Ah... tenho certeza que no dia em que minha mãe cismasse de me parir a Seleção Brasileira de Futebol estaria jogando e Zico perderia o mesmo pênalti que perdeu lá no México, lugar onde a Copa de 1986 realmente ocorreu. Não. Ele perderia dois pênaltis. Mas nem quero me ater ao futebol. O negócio é que nasci vendo Maradona ganhar a taça com um gol de mão contra a Inglaterra. Um gol. Feito com a mão. Trocando por miúdos: Nasci em um ano de desastres irônicos. Maradona e sua mão foram o maior deles. Não. Minto. Eu sou o maior desastre irônico. Simplesmente por achar que há ironia em ônibus espaciais e reatores nucleares explodindo. É muito mais do que achar, porque eu vejo muita ironia nisso. É uma certeza. Digo mais: A ironia é uma verdade universal e o sarcasmo é a melhor forma de vivê-la. Se existe um deus, ou oito, ou quarenta e dois, eles são todos sarcásticos. Causticamente sarcásticos. Antes fossem irônicos, pois a ironia é tão mais branda... mas, não. São sarcásticos. Isso se existissem quarenta e dois deuses, ou oito, ou um. Mas tenho a grande tendência a ficar em cima de um muro. Um grande amigo meu disse certa vez que todo extremista é um idiota. É inconseqüente e cego por suas verdades. Se há uma coisa que odeio mais do que muitíssimas outras coisas é cegueira idiota. Que me perdoem os idiotas, mas vocês são idiotas. Esse meu amigo falava de música quando dessa coisa dos extremistas, mas de maneira estranha atribuí isso para tudo. De música a deus. Do gostar ao acreditar. Entendem? Um fervoroso católico apostólico romano, para mim, se equivale a um ateu comum. O garoto que sonha montar uma banda de rock é apenas a antípoda de um pagodeiro com colares dourados em início de carreira tocando no botequim da esquina. São extremos. Tudo bem que não sejam idiotas, ou nem todos sejam idiotas, mas são extremos. É possível ser um extremo sem ser completamente idiota. Que o diga você agora pensando que não é idiota só por que gosta de determinada coisa ou vai à igreja em alguns Domingos. "Você é idiota, Marcos", permito que diga. Mas o texto é meu, caríssimo(a). Só vou concordar com você daqui a umas trinta e quatro linhas. Sim, porque tenho essa mania de discordar completamente do que já escrevi. A diferença é que não apago. No máximo mudo algumas palavras ou vírgulas. Enfio até ponto-e-vírgulas se necessário for. Mas apagar, não. Isso não. E é bem capaz que esteja pensando no número de linhas que citei acima. Eu estaria, ora bolas. Trinta e quatro linhas depois de tanta coisa já escrita? Pois é. Trinta e quatro linhas depois de bancar Jerry Seinfield e discorrer sobre o nada? Pois é. Antes da próxima vírgula irei completar mais ou menos dezoito horas escrevendo isso daqui. Sim, (pronto) dezoito horas. Mas voltando a coisa de não apagar o que escrevo. Faço isso porque a vida é assim. Você não apaga o que faz. Muito menos, e acho belíssimo, o que diz. Lembro-me da segunda Copa de minha existência. Muito pouco dos jogos, mas lembro. Não que eu me lembre da de 86, porque só vi o pênalti perdido pelo Zico em gravações. Mas tenho que explicar esse tipo de coisa. Chamei você de idiota e tenho que tratá-lo(a) como idiota até que eu concorde com você que o idiota aqui sou eu. Enfim, é lógico que não me lembro de 1986. Estava nascendo. Mas em 1990 a vida passava preguiçosa. As coisas eram lentas como o ritmo alucinado que escrevo. Para mim, pelo menos, eram. E muito. A televisão tinha uma cor muito estranha. Todas as cores da televisão acabavam estranhas. Todas as imagens tinham um tom meio alaranjado e ou não existiam boas técnicas de iluminação ou achava-se o máximo a luz refletindo em talheres, espelhos, brincos e afins. Realmente as coisas eram brilhosas em 1990. Uma dessas coisas era a testa suada do meu pai no dia do meu aniversário. Estávamos todos na casa do meu único avô vivo, pai do meu pai e assistíamos a jogos da Copa do Mundo da Itália. Pra falar a verdade não me recordo de quem exatamente estava lá além do meu pai. Acredito que mãe, tios, tias e primos. Ah! Meu irmão que nascera dois anos antes também devia estar. Que tipo de pais deixaria uma criança de dois anos em casa pra comemorar o aniversário do outro filho em outro lugar? Creio que não os meus pais. Meu avô e minha avó também deviam estar. Enfim, não me recordo disso. Lembro-me da televisão e suas imagens alaranjadas, do meu pai e do diálogo que travamos enquanto eu olhava pra sua testa suada: "Pai, o Brasil está perdendo", eu disse. A Argentina acabara de marcar um gol com Caniggia aos 35 minutos do segundo tempo. Era jogo válido pelas Oitavas-de-Final. "Romário vai marcar um gol. Você vai ver", ele respondeu como quem quer dizer que "tudo vai ficar bem". Eu não fazia idéia de quem era Romário. Eu não fazia idéia de que havia tanta rivalidade entre brasileiros e argentinos no futebol. O engraçado é que atribuí a Lothar Matthäus, zagueiro da Seleção Alemã, o nome Romário. Acho que por tê-lo visto erguer a taça semanas depois. E, cá entre nós, erguer uma taça era muito estilo de um cara que ia salvar a pátria. O mais engraçado ainda, mas só pra mim, é que Romário não estava jogando naquele dia. Não no dia da taça erguida, idiota, mas no dia em que perdemos para a Argentina. Sei lá. Sempre rio quando lembro disso. Mas meu ponto ao lembrar do fato é que meu pai não pode apagar o que falou comigo naquele dia. Ele me deu um certo tipo de esperança que eu não dou valor nenhum nos dias de hoje. Não dou valor e não dou esse tipo de esperança a ninguém. Soa falso. Muito vazio. E o que se diz não pode ser apagado. Está feito. Catalogado, marcado, tatuado. Eternizado, imutável, escrito. Isso. Está escrito. É por esse motivo que não apago o que escrevo. É por isso que só mudo algumas vírgulas e blá, blá, blá. É a ação equivalente de tentar amenizar o passado. Enfiar reticências e vírgulas é como pedir desculpas ou pelo menos tentar encontrá-las. Malditas desculpas. Malditas sejam porque começo a me achar idiota por elas e nem cheguei na metade de trinta e quatro linhas. Mas não fujo do que já disse: sempre discordar do que já escrevi. Se eu disse trinta e quatro e já estou me considerando idiota com menos, bem, estou discordando. Duvido que você vá contar o número de linhas, e será bom que não conte, sabe? Seria muita idiotice parar de ler só para contar linhas. Faça como estou fazendo agora: percebo que não me lembro de mais nada para falar do ano de 1990 além desse episódio na casa do meu avô. Sei que já vi muitos mísseis sendo lançados e reportagens de guerras na televisão, mas não consigo dizer com certeza absoluta que o tom das imagens eram alaranjados. Por isso não sei se era a invasão do Kuwait. Percebo que não me lembro de nada relevante sobre mim para contar. Nem do lançamento do Hubble eu me lembro. Sempre me interessei pelo lado de fora, mas não me lembro do telescópio ser lançado. Então faça como eu e não faça nada além. Não conte as linhas e descanse, porque essa parte acabou. Perceber que de 86 a 90 eu não tenho nada de interessante para acrescentar, assim, pensando por alto, me deu preguiça. E eu sou o rei da preguiça. Se bem que foi por aí, ou pouco tempo depois que... ah. Não importa agora. Realmente estou com preguiça.
continua...
/off
Se leu isso tudo, obrigado. Ou não. Porque tem muito mais.
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