AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/11/2008 01:32:07 AM DATE: 7/11/2008 01:32:07 AM CATEGORY: Nenhum —– BODY: with a little help from my friends


Não, não. Uma resenha de filme não. Até poderia, mas não. O meu problema nem seria com a resenha, Deborah. Seria mais com os filmes. Veja bem: Em dois dias assisti a mais de quinze filmes; resultado de um semestre corrido e sem tempo para momentos realmente meus. Dezessete filmes, para ser mais exato. Dramas, principalmente dramas, suspense, animações, ficção, ação... mas não ação-Van-Damme-chutes-e-explosões. Nada contra, mas enfim. O problema é que em dois dias assisti a dezessete filmes e em todos, repito, todos, mudaria algo. Diálogos, principalmente diálogos, movimentos de câmera, fotografia, luz, posicionamento de atores. Mudaria atores também. Mudaria cenas inteiras. Sou um chato. Sou porque não mudaria isso tudo só com a desculpa de que ficaria melhor desse ou daquele jeito, mas simplesmente porque eu queria que fosse assim. E isso é aleatório. Ah, bem aleatório. Às vezes deixa de existir. É como um rio perene. Tipo a vida. E que bela comparação essa: certas coisas na vida são como rios perenes. Às vezes sim, às vezes não. Quase sempre ou quase nunca. É a efemeridade da vida, Julles. É a fugacidade do tempo. Citando Cecília Meirelles:

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta."


Se há alguém com substância pra falar sobre isso, ei-la. Ela fala, além da efemeridade, da transitoriedade da vida. Mas, ei. Minha vida não transita. Até que gostaria, mas não transita. Não como eu gostaria. Eu não conseguiria escrever resenhas de filmes justamente por querer viver tudo o que há neles. Querer transitar naquilo tudo. E nem posso. Talvez por isso a minha gana por querer mudar os detalhes. Aliás. É com certeza por isso. Infelizmente só posso percorrer o infinito das minhas poucas possibilidades. Das minhas poucas e parvas possibilidades. Acredito que essa também tenha sido a conclusão da Cecília. Quem já leu a mulher deve me entender:

" Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo."


É esse sentimento que bate. Não sei se fico, ou se deixo passar. O sentimento do rio perene. O sentimendo efêmero de que Cecília fala. Pois bem. Não seria problema nenhum fazer a resenha de um dos dezessete filmes. O problema seria deixar de lado a minha vontade de transitar por dentro daquela pequena dimensão. A resenha ia se transformar no que a imensa maioria dos críticos de cinema faz: um apanhado de coisas que eles não gostaram e fariam diferente junto com outro apanhado de coisas que eles adoraram e não mudariam porque é exatamente o que fariam. Ou não. Algo assim. Meio que me perdi falando de Cecília Meirelles.

Paro pra pensar agora sobre ser ou não garoto de uma história só, senhorita Kretli. Acabo sendo. Que outra história eu teria? Ou faria? Ou contaria? Se for continuar com o pensamento ali de cima, só irei contar uma história: a minha. A minha parva e limitadíssima história. Daí a dualidade das coisas e, creio eu, é sobre o que você fala, Ágatha. Apesar de eu acreditar bastante que só posso contar a minha história (e isso me remete a uma infindável conversa que eu e o Gustavo sempre temos sobre existência e destino e acaso e afins), acabo matando a minha vontade de transitoriedade positiva escrevendo sobre o que queria viver. Ok. Nem chega ao ponto de querer viver, no entanto alcanço o prazer que talvez conseguiria me imaginando dentro de todos os filmes que já vi na vida. Se não posso falar exatamente aquilo como naquela cena, posso descrever em trinta linhas toda a voracidade do sentimento. Se não posso tocar na câmera e caminhar pelas curvas da personagem bêbada na cama, me regozijo criando versos e mais versos sobre mulheres tão reais quanto minha imaginação pode criar. É uma dualidade engraçada. Sou um menino de uma história só vivenciando trezentas estórias por dia. Não que eu seja diferente de todo mundo. Duvido que esteja sozinho nessa.

Ah, sobre o doce e o vidro que as moças Marianas sugeriram: Hoje vi em uma daquelas lojas de conveniência uma esfera gigante de vidro cheia de balas, gomas de mascar, pirulitos e chocolates. Uma bomba de glicose. Era uma dessas máquinas que você coloca moedas e gira uma chavinha e a surpresa cai como mágica por baixo em uma pequena abertura. É estranho dizer que só tive vontade de escrever isso aqui por causa dessa máquina. Juntei o vidro, o doce, o fato de estar colocando filmes em dia, alguns problemas e bingo! O post mais simples e trivial dos últimos tempos. É bom pra desenferrujar. É bom pra me sentir mais próximo de alguma coisa. Em uns dias continuo o life and love and why. Como se fosse grande coisa. —– ——– AUTHOR: Marcos Oliveira TITLE: 7/3/2008 10:39:47 PM DATE: 7/3/2008 10:39:47 PM CATEGORY: Nenhum —– BODY: previously, on me


Posso ser estranho? Obrigado? Posso pedir uma coisa? Obrigado.

Quem me der uma boa idéia sobre o que escrever enquanto não termino o life and love and why ganha um doce. —– ——–