AUTHOR: Marcos Oliveira
TITLE: 1/7/2009 02:15:16 AM
DATE: 1/7/2009 02:15:16 AM
CATEGORY: Nenhum
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BODY: Confissões de um assassino - Parte VIII
primeiros dias do ano, depois de conversar com Deus nas ruas
Há três dias não saio desse quarto. O cheiro de suor está impregnado nos lençóis. Dormi no tapete e puxei os lençóis da cama? Tenho a leve (como chumbo) impressão de que dormi com alguém ontem à noite. Liguei e chamei alguém? Eu não dormiria no tapete. Droga. Cadê minha valise? Não acho minha valise. Aquela preta com detalhes prateados nas pontas. Sempre prata. Não acho. Será que ela (se alguém veio, tomara que esse seja o pronome) levou? Será que eu carreguei para a rua e larguei em algum canto? Estou confuso e quero ir embora.
*
Não sei. Você está aí gelada. Dormindo. Não sei se entendeu bem essa minha encenação, mas preciso fingir que não lembro de nada. Ninguém vai me pegar. Nem polícia, nem marido, nem pai e nem irmão. Entende? Ninguém vai me pegar. Imagine ser o único a saber de tudo o que já fiz? É um pouco pesado. Preciso fingir. Aí é só trancar a porta e nem sei mais qual é o seu nome. É muito bom ser fingido. Gosto, às vezes, de fingir que sou Deus. Ele não liga. É sério.
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